Previsão para 2010 é de expansão de 5%, diz Serasa
Carolina Eloy
A crise financeira internacional, cujos desdobramentos atingiram a economia brasileira durante boa parte do primeiro semestre do ano passado, fez com que a demanda do consumidor por crédito registrasse queda de 1,2% em 2009, em comparação com 2008, segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito. Para 2010, a projeção do Serasa é de manutenção do ritmo de demanda por crédito entre 4,5% e 5% nos primeiros meses.
O resultado anual representa o impacto da crise econômica, principalmente no primeiro semestre de 2009, quando a oferta de bancos por crédito retraiu, destaca Luiz Rabi, gerente de indicadores de mercado da Serasa Experian.
O mercado de crédito se recuperou no segundo semestre, mas o crescimento de 4,5% na quantidade de pessoas que, buscaram crédito junto aos bancos, financeiras, crediários, cartões de crédito, foi insuficiente para compensar o recuo de 6,8% observado no primeiro semestre de 2009 (em relação a igual período de 2008).
Rabi destaca que as medidas de incentivo ao consumo do governo criaram uma antecipação de consumo na segunda metade do ano. Além disso, os bancos aumentaram as ofertas de crédito a partir de julho.
- A combinação de redução da taxa Selic, que tem como impacto final o custo menor dos juros bancários para os clientes, e da retração da inadimplência de pessoa física permitiu o prolongamento do empréstimos pelos bancos - disse Rabi.
Para o professor da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e. Financeiras (Fipecafi) Silvio Paixão, o aumento do crédito na segunda metade de 2009, acirrou a concorrência entre os bancos e provocou a redução das taxas de financiamento.
- Com taxas menores as pessoas acabam optando por empréstimos e crediários. Este cenário deve ser mantido nos primeiros três meses deste ano, que deve registrar demanda crescente por crédito - afirma Paixão.
Segundo o relatório com perspectivas para a economia em 2010 do Emerging Market Research do Credit Suisse, o ritmo de expansão do crédito bancário, aumentará para 24% em 2010, após diminuição de 31,1% em 2008 para 13,5% em 2009. A retomada do crescimento econômico, a ampliação do crédito direcionado e a recuperação da oferta de financiamentos elevarão o crédito bancário de 46% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009 para 51% do PIB em 2010 e 55% do PIB em 2011.